26 de ago de 2009

[Zero Km] Teste da Nova Saveiro


A Volkswagen é perita em guardar segredos automotivos. A nova geração do Gol e do Voyage foram os lançamentos mais bem guardados (e escondidos) pela montadora alemã. O Gol só apareceu dois meses antes do lançamento pela revista Quatro Rodas disfarçado de Peugeot 307 e quase um ano antes pela Auto Esporte, mas com disfarce quadriculado. A não ser das cegonheiras carregando as primeiras unidades para as consecionárias, o Voyage só apareceu pela primeira vez em Brasília, em sua versão definitiva, uns meses antes do lançamento. O mesmo aconteceu com a nova picape Saveiro. A não ser pelas cegonheiras flagradas semana retrasada, o carro foi flagrado unicamente há cerca de três meses pela Quatro Rodas, no qual estava disfarçada de GM Montana. Agora, com o lançamento para o público na semana que vem, o modelo quer recuperar um terreno que um dia foi dela (em décadas passadas, antes de surgir a Strada). O Car Auto Brasil esteve no lançamento da nova Saveiro, onde pude fazer um breve test-drive no modelo.
De Saveiro, sobrou apenas o nome. Depois de quatro anos de gestação, a montadora finalmente mostrou a novíssima Saveiro. O modelo veio derivado do Gol (por incrível que pareça, houve gente dizendo que a nova Saveiro iria surgir da base do Fox!), e traz o mesmo acabamento interno do Gol G5, mas de semelhante ao irmão, a Saveiro 2010 só tem a frente e o painel. O resto é tudo novo. E, como é um lançamento, digamos, inédito, vamos analisar de fora para dentro.
A Saveiro G5 segue a receita que a GM usou para fazer a Montana. O novo modelo só é semelhante ao Gol da frente até os para-lamas. E só. O resto é tudo novo (ah, os espelhos também são do Gol; esqueci desse detalhe). Na versão básica, os para-choques são pretos. A unidade testada (versão Trooper) veio completa. Porém, as rodas de aço com um cinza grafite traz impressão de carro barato (parece ser da GM Blazer, mas na Saveito está mais estilizada), mas mesmo assim traz um "quê" esportivo. O carro traz um step-side, vindo também da concorrente da Chevrolet, que facilita o acesso á carga. Atrás, a novata segue o design da Amarok (futura picape média que será lançada no Brasil no ano que vem). O logotipo da Volkswagen ficou menor, e o nome do carro ficou no centro da tampa, embaixo do logotipo (a Renault fez a mesma coisa com seus lançamentos recentes). Sem exageros de plástico, o modelo agrada até na versão básica (na Strada, até na versão básica tem plásticos em volta da carroceria). Mais uma vez a Volkswagen acertou a mão no visual do modelo.

Depois de analisar a estética, entramos para dentro da picape. Ao entrar, a sensação de estar no Gol ou no Voyage foi muito grande. A posição de dirigir é a mesma dos irmãos. O painel é o mesmo, bem como os (confortáveis) bancos. E, já que estava lá dentro, dei uma experimentada na picape e andei por alguns instantes, poucos, mas bem aproveitados minutos. A sensação de estar no Gol com o carro em movimento veio denovo, pois a suspensão dianteira é a mesma do hatch. Já a suspensão traseira é uma versão reforçada do Golf nacional. Como convém a um utilitário, a nova Saveiro é mais alta do que seus congêneres de passeio. A suspensão dianteira independente, tipo McPherson, possui sistema de isolamento idêntico ao do Golf que, segundo a VW, filtra as irregularidades do piso e diminui o nível de vibrações e ruídos na cabine. Já o eixo traseiro, com construção interdependente com braços longitudinais, incorpora molas helicoidais com curvas de carga superprogressivas, que visam equalizar as condições de dirigibilidade tanto vazia quanto carregada.

Projetada para transportar até 715 kg de carga, é também amplamente utilizada para uso pessoal em atividades de lazer. Nessas condições, segundo a VW, a maioria dos usuários transporta em média apenas a metade do peso de sua capacidade total. Por isso, o teste-drive contemplou os jornalistas com a avaliação de versões vazias, com apenas dois passageiros, e com carga de 350 kg. Ambas apresentaram comportamento exemplar de condução, sob chuva. O motor 1.6 VHT e o câmbio manual que equipam a nova Saveiro são os mesmos utilizados no Gol e Voyage. O propulsor, que desenvolve 104 cv de potência a 5.250 rpm e torque de 15,6 kgfm a 2.500 rpm é agora instalado transversalmente e dispensa comentários. Elástico e pouco ruidoso, oferece excelente faixa de torque e trabalha em harmonia perfeita com o câmbio, cujo escalonamento teve a primeira e segunda marchas encurtadas em 9% e 7% respectivamente. Durante o teste, de pouco mais de 80 km quase que totalmente pelo asfalto, o conjunto demonstrou eficiência nas acelerações e retomadas de velocidade. Segundo a VW, a picape é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 10,5 segundos e atingir 179 km/h de velocidade máxima, quando utilizando álcool como combustível.
O novo conjunto de suspensões, independente do tipo McPherson com braços triangulares transversais, molas helicoidais e barra estabilizadora de 20 mm de diâmetro na dianteira; e interdependentes com braços longitudinais, molas helicoidais superprogressivas e amortecedores pressurizados na traseira, oferecem equilibrada relação entre maciez e conforto.Rodando tanto vazia quanto com meia carga (350 kg), a nova Saveiro demonstrou a agilidade e dirigibilidade de um automóvel, guardados os devidos limites quando carregada. Firme no asfalto, sem ser mole ou dura demais, a Saveiro apresentou boa estabilidade mesmo sobre trechos esburacados e baixo nível de ruído dentro da cabine.

O sistema de sonorização, por sua vez, valoriza o conforto interno. O modelo oferece, opcionalmente, dois sistemas de som: o Radio Concept Low, contendo rádio AM/FM e leitores de cartão SD e porta USB para músicas gravadas em MP3; e Rádio Mid, contendo adicionalmente entrada par aCD, além de interface Bluetooth para conexão com telefones celulares e outros dispositivos. Agradável de dirigir como um automóvel de passeio, e pratica e funcional para transportar meia carga e duas pessoas, como um utilitário leve deve ser. Para desbancar a Strada, isso só deverá acontecer depois do final do ano. Já a Montana é mais viável para ser ultrapassada. Porém, a nova Saveiro tem que se agilizar para ultrapassar a Montana, pois ela também ganha substituto no ano que vem.

Fonte/Texto: Car Auto Brasil