9 de jul de 2009

[Faixa Expressa] Brasil deve começar a reciclar veículos


Atualmente 1,5% da frota brasileira vai para reciclagem.
Peças reaproveitadas custam cerca de 30% a menos.

Você já deve ter se perguntado para onde vão os carros que saem de circulação. No Brasil, 98,5% da frota nacional termina em desmanches e depósitos, segundo estimativa do Sindicato do Comércio Atacadista de Sucata Ferrosa e Não Ferrosa (Sindinesfa).

Isso porque no país não há uma legislação que torne obrigatório e regulamente o reaproveitamento de peças de automóveis, ao contrário dos Estados Unidos, Japão e Europa, onde há leis de reciclagem. No caso dos países europeus, as próprias montadoras são responsáveis por reutilizar os componentes dos veículos.


Além de benefícios para o meio ambiente, que sofre com o acúmulo de lixo poluente, a peça reciclada custa em média 30% a menos do que o componente comercializado na concessionária. O preço competitivo somado à atividade legalizada inibem também a ação dos desmanches ilegais, que são os principais destinos dos veículos roubados no Brasil.


“Mesmo sem a existência de uma legislação é possível viabilizar o projeto no Brasil, já que há interesse da cadeia produtiva na legalização da atividade de reutilização de peças”, afirma o diretor de operações do Centro de Experimentação e Segurança Viária (CESVI), José Aurélio Ramalho.

Uma situação muito semelhante ao do Brasil vive a Argentina. Para tentar diminuir as irregularidades na atuação dos desmanches e a ligação com o furto de veículos, em 2005 foi implantado no país vizinho um centro de tratamento de veículos fora de uso, que recicla peças de 250 veículos por mês e já atingiu a marca de 25 mil componentes reaproveitados.

Foto: Divulgação

Peças recicladas podem ser compradas pela internet ou por telefone. Na Argentina, os componentes têm três meses de garantia (Foto: Divulgação)

O centro de tratamento da Argentina tem parceria com oito companhias de seguro. Elas vendem os veículos sinistrados para que as peças sejam recuperadas. De acordo com o presidente do CESVI Argentina, Fabián Pons, já há estudos para que os componentes reaproveitados sejam utilizados no reparo de outros veículos assegurados, o que poderia reduzir também o preço das apólices.

“A reciclagem de peças é tecnicamente recuperável e economicamente interessante”, diz Pons. “Cerca de 15 peças são recuperadas por veículos e, vendidas separadamente, os preços dos componentes chegam a 20% a mais do valor do carro”, acrescenta.

Segundo o diretor de operações do CESVI Brasil já foram feitas reuniões entre órgãos públicos, seguradoras e investidores e a decisão de iniciar a atividade no Brasil já está praticamente tomada. “Depois de confirmado o interesse, será necessário de oito meses a um ano para que o centro de reciclagem no país entre em operação”, diz Ramalho.

Processo de reciclagem

Ao chegar para reciclagem, o veículo passa primeiro por um processo de descontaminação, quando são retirados todos os fluídos, gases e elementos com potencial de contaminação. Depois, é feita uma avaliação geral para identificar as peças que poderão ser aproveitadas.

Em seguida, os componentes selecionados passam por processo de retífica, em que também podem ser reutilizadas as matérias primas para a fabricação de outras peças. Por último, as peças são identificadas, embaladas e estocadas.

Acessórios de segurança como cintos, rodas, suspensão, airbags, sistema de direção e de segurança (ABS/ESP) não são reutilizados pelos centros.


[Fonte: G1.com.br]